quarta-feira, novembro 30, 2005

Teorias e Sentimentos

Geometria Riemanniana, Análise em R^n, conceitos de fluxo, Física Quântica, Álgebra, Álgebra Linear, Álgebra Exterior, Formas Diferenciais, Economia Matemática, Equações Diferenciais Ordinárias, Geometria Analítica, Análise Funcional, Teoria Ergódica, Teoria da Medida, Probabilidades, os treze Elementos de Euclides, Análise Combinatória, Sistemas Dinâmicos, Teorema de Stokes, Teoria de Galois, Teoria dos Números, Polinômios, Matrizes, Campos Gravitacional e Magnético, Energia, Átomo, Partícula Alpha, Cálculo de Várias Variáveis, Variável Complexa, Séries de Laurent, Resíduos, Funções Holomorfas, demonstração por absurdo, Desigualdade Isoperimétrica, Geometria Diferencial, Curvas Algébricas, Literatura, Filosofia, Psicologia, Jean Piaget, Teoria dos Grafos, Grafo Bipartido 3+3 não é planar! Algum literato sabe disso? Eu acredito em Freud, por mais que alguns duvidem. Não sei se acredito tanto em mim, mas em Freud, isso sem dúvida. Se eu olhar pela minha janela agora, vai ter uma mulher e dois homens falando sobre carros e vida cotidiana. O mundo de verdade está neles! Seria pretensão demais acreditar que está em mim? Observo a dor que se formou e encasulou meu corpo...talvez não seja, mas chamo assim: de dor! Talvez seja fome. Ouvi falar que algumas pessoas escondem os verdadeiros sentimentos atrás de coisas mais simples. Mas só acredito porque foi Freud. Quão complexo será o sentimento escondido pela Geometria Riemanniana? Vamos bater palmas! Vinte e dois anos escondendo um sentimento atrás de diversas áreas e teorias. Sou digno pra dizer que não aprendi nada. Não por não tentar...mas porque o algo a ser descoberto era outro! E só agora me dei conta. Este algo é tão simples que a mulher lá de fora e os dois homens que ainda discutem sobre carros e vida cotidiana [até times de futebol] já descobriram mas nem sabem disso. A vida lhes é simples porque não existe o espaço vetorial? Talvez a vida se torne mais complexa quando descobrimos outras dimensões. Tenho vontade de descer do meu prédio e perguntar isso. Eu ainda não sei o que é. Mas sei que eles sabem; e pior, eles sabem sem saber. Existe toda uma beleza no mistério e uma tristeza quase que imperceptível na verdade. No dia em que o homem desvendar o universo restará pra ele outro universo, o qual ele jamais se deu conta. É o universo que está ali, presente na mulher e nos dois homens que ainda não se calaram. É porque existem sentimentos que são escondidos por teorias ergódicas. Ouvi falar que as pessoas escondem sentimentos por detrás de coisas mais simples. E eu, humilde servo, confesso que não sei.

terça-feira, novembro 29, 2005

O intermitente, por si só...

Tenho andado num momento torpe de vida. Não vou buscar traduzir em palavras o que já tão dificilmente venho sentindo. Apenas estou encerrado, exiguado, latejante e comprimido. Lembro de algumas viagens e de como fizeram bem. Tanto que na última não quis mais viajar. Estiquei minha mão e tomei nela uma flor branca, uma que nasceu no canteiro de um posto de gasolina. A estrada era toda névoa. Eu respirava um ar gélido que invadia os pulmões com forças de muralhas que se chocavam num fragor lampejante. Pensei estar vivo. Também que meus pulmões choravam. "Estou enlouquecido". Nada de mal, nunca fui de todo normal...a vida não pode ser uma viagem, Marcelo. Não a vida que te obrigam...e se não for ela realmente a que todos falam, seria você apenas, e algumas dúzias de gatos pingados? Há um naco de coração em cada tomo do Brasil, mas dentro do coração restou apenas um país diluído em mínimas partes, numa dose homeopática do sentir. É, Marcelo; você não está bem, mas tem que diminuir a dose do remédio, porque não está sozinho! Poetas do mundo, uni-vos contra as grandes coorporações! Num país onde há dinheiro, as leis são dos fortes...para os fortes. Mas podemos contra os fortes envilecidos. Que há de mal em lutar, se só nos resta a força de um pensamento? Sim, é porque não faço parte do sistema. Inventaram um. E não sei. Às vezes acho que viver é muito mais que isso...

segunda-feira, novembro 28, 2005

Currículo

Venho, por meio desta,
dizer que meu nome é Marcelo Ribeiro
e que habito a Zona Norte do Rio de Janeiro...
ainda digo, por mais então,
que procuro um emprego
e que tenho qualificação.
Sei Inglês, Francês e Espanhol,
faço Matemática Aplicada na UFRJ
e tenho conhecimento em
mercados financeiros.
Gosto de Jazz, sou coralista do Altivoz
e não busco nada na vida
senão a tão querida felicidade...
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Água Também é mar

Água também é mar
E aqui na praia
também é margem
Já que não é urgente
Aguente e sente
aguarde o temporal

Chuva também é água do mar lavada
No céu imagem
Há que tirar o sapato e pisar
Com tato nesse litoral

Gire a torneira,
Perigas ver
Inunda o mundo,
o barco é você

Na distância,
há de sonhar
Há de estancar
Gotas tantas não demora
Sede estranha

Gire a torneira,
perigas ver
Inunda o mundo
o barco é você

sábado, novembro 26, 2005

Uma tarde sem cafés e Roman Polanski


Oliver Twist do Polanski, embora retrate fielmente o sarcasmo e a ironia embutidas dentro do clássico de Charles Dickens, passou sem emoção quase nenhuma. Não foi tão fiel ao livro. Pra quem leu deve ter sido decepcionante ter visto um filme que poderia ter sido muito belo, se fosse mais simples. A fotografia é muito boa, como era de se esperar, e Oliver muito bem escolhido [tem a carinha mesmo de Oliver Twist]. O dia esteve, por sinal, insosso...e tive uma tremenda vontade de tomar café, mas esta idéia acabou morta por um convite de última hora pro planetário...tava tão triste que me ainda fui sem ver a cúpula. Acho que nem cúpula, nem cópula poderiam me salvar [desculpando-se pelo irônico, porém verdadeiro, trocadilho]. Termino o dia triste ouvindo los hermanos...esperando que amanhã melhore...

sexta-feira, novembro 18, 2005

Uma idéia de tempo, baseado em Linux e Pessoa

O que mais me chateia quando quero aprender alguma coisa é essa pressa do mundo. Vejo trezentos milhões querendo saber tudo num só dia...eles pensam que, só porque o computador consegue armazenar milhares de informações, o ser humano também a capaz disso. O melhor exemplo são os livros de linux. Eu fui caçar um pra ler e o que encontro é: "aprenda linux em 24 horas", "administração de redes linux em 2 semanas"...meu deus! "Onde será que há gente no mundo?", ou serei eu o único a admitir que aprendizado é um acúmulo e uma substituição de conceitos formulados pelo cérebro. Mas há tantos "melhores" no mundo, dado essa pressa em que ele se afogou, que não resta tempo pros verdadeiros seres humanos...

terça-feira, novembro 15, 2005

Tanto Amar



Chico Buarque1981

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita

Tem um olho que não está
Meus olhares evita
E outro olho a me arregalar
Sua pepita

A metade do seu olhar
Está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar
Na bodeguita

Se seus olhos eu for cantar
Um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar
Toda a pintura

Ela pode rodopiar
E mudar de figura
A paloma do seu mirar
Virar miúra

É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela acredita
Tem um olha a pestanejar
E outro me fita

Suas pernas vão me enroscar
Num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar
No infinito

Amo tanto e de tanto amar
Em Manágua temos um chico
Já pensamos em nos casar
Em Porto Rico

sábado, novembro 12, 2005

Doze de Novembro, 2005


Meu aniversário: data em que convencionaram o nascimento. E tenho em mim a sensação de que não nasci. Levo-me a perguntar se carregarei pra sempre este estado, ou se por acaso, hei de aboli-lo em algum dado momento. Há presentes e uma mesa de almoço com pessoas que há muito não estão. No meio, um bolo de chocolate e uma vela de vinte e dois. Nenhum palhaço vai trocar a ordem dos algarismos! Não há graça. A vontade é sair de casa e, por alguma razão que desconheço, buscar lá fora o que não encontro cá dentro; como se residisse no outro lado da rua verdade maior que neste. Mas o povo grita um nome. Mandam que se apresse tudo: é preciso soprar as velas e apagar por completo os vestígios de uma festa! E correm gritando, como se bradassem: "Vai, gira a manivela! Queremos partir!". Mas quem está pra soprar decidiu cessar-se em si. Porque ele sente que não passa. Nada passou. Entra uma mulher gorda no quarto e diz que todos estão esperando; há, em seus olhos, um certo ar de desprezo, como julgasse ingrata a situação. Não há mais todo! Como explicar? O homem feito, então, decide apagar as velas. E ouve aplausos de uma multidão, que não é platéia. Na hora da despedida, fala-se até logo, mas sabe-se que é no outro ano só. No outro ano. E há uma vontade tremenda de deixar que a manivela caia e se espatife ao chão! Não há tempo! Há uma pista, um aeroporto, que espera indefinidamente um avião, que o levará pra longe de tudo isto...

sexta-feira, novembro 11, 2005

Lavoura Arcaica


"O tempo é o maior tesouro de que o homem pode dispor. Embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que o conheça, o tempo é, contudo, nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim. Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas, nem naquele devasso sistema de mãos e braços e pernas largas. Rico só o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura e não se rebelando contra o seu curso; brindando, antes com sabedoria, para receber dele os favores e não sua ira. O equilíbrio na vida está essencialmente nesse bem supremo. E quem souber, com acerto, a quantidade de vagar ou de espera que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por horas e defrontar-se com o que não é, pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas."

Lavoura Arcaica ("Raduan Nassar")

quarta-feira, novembro 09, 2005

O presente de aniversário

Acho que eu devo ser o único ser humano que prefere uma assinatura da revista scientific american brasil [+outras de mesmo gênero] a um tênis novo de minha preferência. Pô, eu tenho um nike, um adidas e um all star!!! Pra quê mais tênis? Sem contar que eu prefiro chinelas rsrs

segunda-feira, novembro 07, 2005

A poesia iraquiana



Ficou pra trás a cidade intacta.

Posto sob nuvens e fumaça

meu olhar repousa.

E vejo crianças,

as que têm pernas,

correndo nuas sob a ameaça das chamas:

vigilantes indefesas da alma.

Onde diabos há

o abaixo assinado dos reclusos?

Atrás de mim, não o que deixei,

mas o por vir.

Meus olhos buscam sobreviventes,

agonizantes...restos da cidade;

puxaram a tomada da vida,

da infância.

E pagaremos eternamente o preço

de ter existido.

sábado, novembro 05, 2005

Mean Creek


Se você foi como eu e pensou que este filme tinha fotografia bonita por causa dessa foto ao lado, se enganou um pouco. Na realidade, esta é uma das poucas cenas com fotografia impactante e cadavericamente poética. Sei que este filme está na pré-seleção de cannes, mas a ênfase foi no roteiro, creio. Posso dizer que não é dos mais originais, mas pode salvar pelo final, não imprevisível, mas avesso ao que geralmente acontece em filmes deste cunho.
Há um destaque para alguns monólogos finais e também no final suspenso, preso por uma linha tênue, que deixa um ar sem resposta. Aliás, o filme, que a princípio parecia mais um hollywoodiano 'Eu sei o que vocês fizeram...bla bla bla', foi tomando um ar respeitosamente silencioso ao se aproximar do fim, tendo terminado com a incerteza de que aquilo era realmente um final. O que eram diálogos infantis tornaram-se por metamorfosear em pérolas do não-óbvio, em meias-frases de cenas cortadas. Isso foi bem feito. Mas fica só pro fim. Vale a pena conferir.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Brasil - o país dos injustos


Porque muitos tiveram pena. Eu ri. Eu ri. Eu ri. Agora choro. Choro. Choro.

Justiça virou neologismo...

Depressão profunda também...